Ordem das Icamiabas
Atenção: esta é uma obra
de ficção.

Em 1600, o Imperador D.
Sebastião reconheceu as amazonas, também conhecidas em diversas línguas da
Amazônia como icamiabas (mulheres famosas), aikeambeno
(mulheres sós) e cunhãtesecuimas (mulheres sem lei) como
uma ordem semi-independente análoga às Ordens de cavalaria tradicionais e à
Ordem do Cruzeiro do Sul, embora sem a mesma vinculação à Igreja Ecumênica. De
fato, a função e a estrutura do tradicional corpo de guerreiras de Caranai era semelhante à dessas organizações.
Sua tradicional
rainha-sacerdotisa, a Coniupuiara (a grande senhora),
que reside na cidade de Caranai, se
tornou sua grã-mestra. A primeira ordem guerreira feminina da história do
Ocidente adotou como emblema a mumuru ou
estrela-d’água (conhecida
como vitória-régia na história real). A flor é comum no
lago Parima, ou Jacyguaruá,
às margens do qual sua civilização se desenvolveu e simboliza sua divindade
máxima Jacy, a Lua.
D. Sebastião recrutou icamiabas
como parte da guarda pessoal da família imperial. Esperava-se dele um papel
puramente cerimonial, mas veio a se mostrar uma tropa extremamente eficiente,
principalmente durante na selva e nos pantanais, ambientes em que as tropas de
origem portuguesa se viam perdidas. O Batalhão das Amazonas Imperiais tornou-se
a grande rival dos machistas Dragões Imperiais de Avis.
Desafiar-se e pregar peças
mutuamente é uma velha tradição dos dois corpos. Também há, porém, histórias de
paixões ardentes entre membros das duas ordens. Vários cavaleiros de Avis
guardam entre seus pertences um muiraquitã, o
tradicional amuleto de jade em forma de rã com que as icamiabas presenteiam os
pais de suas crianças. As icamiabas ainda seguem a tradição que as impede de
casar, sob pena de expulsão da Ordem, mas são livres para terem amantes quando
desejarem.
As icamiabas dominam uma
arte marcial tradicional e temível, chamada peteketé e bastante semelhante ao
ninjutsu japonês,
além de praticarem entre si, como esporte, a luta xavante yamarikumã
(semelhante ao sumô). São mestras no uso de bastões,
do laço, de pequenas espadas e também do zepguagoscua, um disco de metal
lançado à distância, semelhante ao chakra dos indianos.
A ordem das icamiabas
sempre foi aberta a mulheres de todas as idades e origens que desejassem adotar
o modo de vida das amazonas. Mulheres de origem européia começaram a ingressar
já nas primeiras décadas de sua aliança com o Império Luso-Brasileiro e as
africanas vieram logo em seguida. No século XVIII, um tradicional corpo de
guerreiras africanas, nativas do Daomé, foi também
incorporado como uma divisão da ordem das icamiabas.
Em 1780, a ordem inclui 20
mil guerreiras (incluindo cinco mil daomeanas) e 25
mil amazonas em funções de apoio. Apenas entre os 80 mil servidores e
dependentes existem homens, quase todos filhos de icamiabas. Isso não incui as 840 mil icamiabas (incluindo 80 mil guerreiras) em sua terra de origem, em Caranai ou nas imediações do lago Jacyguaruá, que também obedecem à Coniupuiara.
Tradicionalmente,
as icamiabas de Caranai criavam apenas as filhas
mulheres, entregando os meninos aos guacaris, sua contraparte
masculina em Manoa, logo depois de desmamados.
Quando se expandiram para
fora de sua terra natal, porém, nem todos os seus parceiros se dispuseram a
criar os filhos homens, o que as obrigou a mudar um pouco o seu costume. Quando
não são aceitos pelos pais, os meninos passaram a ser criados
entre as icamiabas até a maioridade, quando são estimulados a partir. Muitos
deles se integram à Ordem do Cruzeiro do Sul, às forças armadas regulares ou à
vida civil. Uma minoria permanece na ordem, em serviços auxiliares.
As principais bases das
icamiabas, fora de Caranai e suas imediações, estão no Grão-Pará, no Paraná, no Panamá, na Guiné e em Brasília.